quinta-feira, 24 de maio de 2012

MEGAUPLOAD E OS CYBERLOCKERS

A primeira palavra do título do artigo significa baixar quaisquer arquivos, filmes, livros, músicas, fotos, documentários, jogos na Internet sem ter de pagar um tostão a ninguém. O Megaupload.com era o maior site de compartilhamento de conteúdo do mundo. Você clicava lá e pronto: baixava o que desejava gratuitamente, mesmo filmes e outros produtos de Hollywood que ainda não haviam sidos lançados no mercado.


 A França era o país que mais acessava o site, chegando a ter quinze milhões de acessos num só dia. Em segundo lugar, estavam os brasileiros com mais de oito milhões de acessos. Inclusive o IP (a identificação que registra por onde você navega na rede) do presidente Sarkozy foi registrado no site YouHaveDownloaded como um dos endereços que acessa o BitTorrent e baixa conteúdo que pode ser considerado pirataria. De acordo com o site http://www.cnet.com, o presidente francês ou alguém usando seu computador fez download de alguns filmes bem recentes como "Roubo nas Alturas", "Eu Queria Ter a Sua Vida" e a animação "Operação Presente", além de uma coletânea com os maiores sucessos do grupo The Beach Boys. Esse procedimento ainda não está tipificado como crime em nenhuma lei e em nenhum lugar do mundo. O que me esclareceu um advogado especialista no assunto é que, se você baixa o conteúdo para seu uso pessoal não é crime. Mas se compartilha, aí sim, poderá ser enquadrado na Lei de Direito Autoral ou até como roubo. Ou ainda, terceiros entram no site e disponibilizam arquivos pelos quais você teria que pagar ao baixar. Isso isenta o site principal de crime. O grupo de cracker conhecido como Anonymous postou centenas de links no Megaupload sob o argumento de que era um serviço de utilidade pública porque não envolvia dinheiro. O acesso era gratuito. Nestes a polícia ainda não conseguiu colocar a mão. E outros grupos de crackers fizeram links alternativos ao MEGA para downloads de arquivos mal intencionados, entre eles vírus diversos.


 É uma coisa complicada mesmo. E isso está matando o Direito Autoral tal qual conhecemos. Outras formas, outros enquadramentos terão que ser inventados e aprimorados. Apesar dos esforços dos governos em todo o mundo, a Internet continua livre. Livre e diferente. O Google não produz nada e é a empresa de mídia que mais fatura no mundo. Vai entender um negócio desses. As polícias de alguns governos costumam identificar o primeiro a baixar um arquivo e divulgam o número de IP do usuário. Mas isso é só para constranger, pois ainda não está tipificado como crime. Kim Schmitz, mais conhecido por Kim Dotcom, é alemão. Nasceu em Ki El, Alemanha. Com esse nome que mais parece de um coreano ou nome de um japonês, na realidade, está radicado em Auckland, capital da Nova Zelândia. Gordo e bonachão, jovem e extravagante, além de muito inteligente, juntou-se a três outros jovens, nem tão gordos nem bonachões: Mathias Ortmann, Finn Batato, também nascidos na Alemanha, e Bram van der Kolk, holandês de nascimento. Fundaram um negócio milionário que passou a incomodar a indústria de Hollywood: o tal site de compartilhamento Megaupload.com. Fez tanto sucesso que os grandes grupos de mídia como Warner Bros, Disney, Fox e outros chegaram a manter contato, visando um acordo tal era a quantidade de acessos diários pelo mundo. Eles não aceitaram. Ficaram milionários. E todos foram parar na cadeia.


Em seu depoimento, Dotcom revelou que tinha cadastrados mais de quinze mil contas de membros das forças armadas americanas que compartilhavam arquivos através do seu site regularmente e mais de mil contas eram acessadas via domínio do governo dos EUA. O FBI, a polícia federal americana e a justiça dos Estados Unidos pedem a extradição da turma, presa na capital da Nova Zelândia. Todos possuem cidadania neozelandesa. Logo não serão extraditados. E já estão soltos sob fiança. Mas a fonte de riqueza secou. O Megauload desapareceu do ar para sempre. Como tudo na Internet, a criação nunca teve limites nem condições.


Saiba que mais de uma dezena de sites semelhantes tomaram o ranking do MEGA e habitam a rede com muito mais sofisticação e oferecendo de tudo. O principal deles é o www.utorrent.com onde se pode baixar um software e,em seguida, desde que tenha seu formato, você pode baixar tudo que deseja. Ele localiza e disponibiliza links de arquivos diversos que você teria que pagar. O www.thepiratebay.com também lhe oferece de tudo, mas só pode ser acessado via o uTorrent e para o sistema Windows. Neste mesmo site, você tem o programa www.transmissionbt.com para o sistema Apple. O Pirate Bay anunciou que vai deixar o formato torrent por tempo indeterminado. É o efeito da ação das autoridades americanas. Mas eles já inovaram. Inventaram um programa que esconde a identidade do pirata.


 Tem mais: os brasileiros já escolheram os seus preferidos, sendo que o principal deles é o www.4shared.com.br com mais de dezesseis milhões de usuários/mês. Depois vem o www.sharelink.com e o www.mediafire.com. Em território brasileiro também há mais de uma dezena deles em que você compartilha de tudo. Alguns artistas já desistiram e nos seus respectivos sites disponibilizam toda a sua obra, gratuitamente. O cantor Roberto Carlos vende sua obra inteira na loja virtual iTunes, mas o mesmo produto está disponível na rede, gratuitamente. A única diferença é que os responsáveis por estes sites não são exibicionistas como era a turma do MEGA. Estes piratas também são conhecidos pelo nome de Cyberlockers.


E não é só o setor de artes e músicas que sofre. Outra grande fonte de compartilhamento na rede são os aplicativos para trabalhos gráficos. São como os combustíveis para os automóveis, são a fonte para a criação, para o designer. Um aplicativo comum para trabalhos gráficos chega a custar três mil reais. Aqueles conhecidos como aplicativos de fonte ultrapassam os vinte mil reais. A turma é incansável na busca da pirataria e há quem ateste que no www.corel.com.br se consegue. Via uTorrent também se consegue baixar os aplicativos.


Não há lei, não há justiça e nem polícia no mundo que impeçam esta invasão. Só mesmo a criatividade é que limitará as ações.                                                                                                                        

terça-feira, 22 de maio de 2012

ALELUIA E CIA: A SINGULARIDADE

ALELUIA E CIA: A SINGULARIDADE: Se você acha muito tudo que já viu e leu sobre a internet, prepare-se para surpresas cada vez maiores. Neste momento, dezenas de cientistas...

sexta-feira, 9 de março de 2012

EM BUSCA DA MÁQUINA QUE PENSA

Faz tempo que o homem vem tentando fazer a máquina pensar como ele. Porém as façanhas conhecidas do grande público estão circunscritas à ficção científica. Mas estão muito além disso e mais perto da realidade do que podemos supor. Nos livros e nas telas são inúmeras as tentativas de fazer a máquina pensar como o cérebro humano. A mais famosa delas foi retratada no filme 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO, do genial diretor de cinema americano, o nova-iorquino do Bronx, Stanley Kubrick, em 1968. No filme, baseado na obra do escritor, também americano, Arthur Clarke, o computador de bordo da nave que leva uma equipe de astronautas ao espaço sideral tenta assumir o comando da navegação e passa a ignorar, solenemente, as ordens da tripulação. De repente, a máquina passa a definir os destinos da missão e opta por um brutal desfecho da viagem interplanetária.

O jornalista e escritor inglês George Orwell se tornou o mais conhecido futurologista do Século XX quando previa um hipotético Big Brother (Grande Irmão) hoje simbolizado por câmeras e computadores exercendo o papel de vigilantes da sociedade. Existe um sem-número de escritores com histórias fantásticas e mirabolantes escrevendo sobre a iminência do advento da máquina que pensa, na ficção. Nunca previram como isso seria possível no mundo real. E essa realidade está mais próxima do que se imagina. E no meio de nós.

Os cegos já estão aptos a navegarem com conforto e eficiência pela internet e podem realizar qualquer tarefa no computador através dos diversos softwares, gratuitos ou pagos, disponíveis no mercado e que obedecem ao comando de voz. Máquinas e robôs são programados para agirem de acordo com as necessidades do meio em diversos setores do conhecimento humano, indo da área da indústria automobilística, passando pela aviação e até mesmo pela medicina e pelo campo, onde os tratores dispensam a mão do homem. Nos Estados Unidos, esse é apenas um dos primeiros passos.

Usuais já são também os softwares de tradução imediata. Desde aqueles em que cola-se o texto e busca-se a tradução, passando por outros em que você vai escrevendo e ele vai traduzindo simultaneamente, até aquele outro em que a tradução é em cima do texto que aparece na tela, como o Google está fazendo com os sites. Localiza-se a página em uma determinada língua e clica-se para obter a tradução que é feita imediatamente em cima do texto original. Leva menos de 25 segundos para traduzir a página inteira. E numa qualidade espantosa. Esta tecnologia já está disponível nos celulares. Você poderá falar em português e seu interlocutor do outro lado da linha irá ouvir na língua que desejar. E vice-versa. Da mesma forma que acontece com os serviços de buscas. Por enquanto somente no sistema Android, do Google, e para duas línguas. Mas logo estará disponível para todas as línguas.

É nesta área que os cientistas, pesquisadores, programadores e estudiosos colhem os principais dados e informações que poderão levar à máquina que pensa graças a uma palavra enigmática: ALGORITMO. A mesma questão buscada por diversos navegadores tem respostas diferentes de acordo com o perfil e a personalidade do internauta registrada pelo computador e reconhecida por essa palavra mágica. As ferramentas inimagináveis para cegos e tradutores surpreendem. E mais ainda as pesquisas realizadas em diversas universidades americanas. Pesquisadores da Universidade Washington, em St. Louis, nos EUA, documentaram as reações de uma mulher com eletrodos sobre a região do cérebro responsável pela fala. Ela conseguiu mover um cursor na tela do computador apenas ao pensar em certos sons, sem pronunciá-los. Em outra interface entre o cérebro e o computador, com absoluto sucesso, foi permitido a uma outra mulher mover o cursor somente com o pensamento.

A esse processo se referem utilizando o nome SINGULARIDADE TECNOLÓGICA. Na definição da Wikipédia, “trata-se de um evento histórico previsto para o futuro no qual a humanidade atravessará um estágio de colossal avanço tecnológico em um curtíssimo espaço de tempo”. Pelo jeito a Singularidade já está entre nós. Ela, a Singularidade, é a palavra síntese que também define o sonho em que se origina o desejo do homem de fundir seu pensamento com a máquina, daí surgindo o que também é conhecido como Inteligência Artificial. Até filme sobre o assunto já foi feito em 2001, sob a direção do criativo cineasta americano Steven Spielberg, retomando um projeto deixado pelo criativo Stanley Kubrick sobre a possibilidade de existência de máquinas com sentimentos.

Todas estas novas descobertas estão fartamente documentadas na revista The New York Review of Books. Toda essa epopéia, tanto na ficção como na realidade, só está sendo possível graças ao mecanismo velho conhecido dos cientistas, matemáticos e engenheiros chamado de ALGORITMO.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O CONTROLE DO ESTADO

Várias obras literárias no mercado editorial abordam com propriedade o imenso esforço de governos, empresas e outras instituições destinadas a controlar a sociedade através da moderna tecnologia da informação. O que antes só era facultado a governos totalitários, hoje está aberto até mesmo a pessoas. Os sistemas de computadores, em geral, e a internet ,em particular, colocam com facilidade um poder sem precedentes nas mãos daqueles que desejam controlar instituições e pessoas. O sistema de computação e a internet não foram imaginados e criados para essa finalidade. Mas o inventor não domina o desenvolvimento do seu invento nem tampouco o futuro de seu processo de criação.


A internet foi o veículo principal das revoluções que se observam principalmente no Oriente Médio. Graças à interconexão em rede e ao aparato tecnológico portátil disponível para multidões, o mundo se transforma do dia para noite sem precedentes na história. Quando antes eram necessárias décadas, séculos para mudanças de comportamento, principalmente político, hoje se faz em meses, em dias até. As mensagens indicando mudanças viajam em bytes, por segundos, nas ondas dos celulares e dos computadores. Nem sempre essas mudanças são para melhor. E, muitas vezes, elas implicam mortes, muito derramamento de sangue e ou guerrilhas fratricidas como no caso da Líbia, da Tunísia, do Bahrein, do Iêmen e da Síria. Essas mudanças não significam que estes povos encontrarão a democracia em seus caminhos. Mas o amanhã não será o mesmo, jamais.


As pessoas, especialmente por aqui, no Brasil, desconhecem completamente o poder dessas transformações. Abstraindo o desejo e o esforço do Partido dos Trabalhadores, o PT, em seus vários escalões de governo, na tentativa de criação de conselhos comunitários com o objetivo de controlar a mídia de uma forma geral, o governo federal avança com desenvoltura no aparelhamento da máquina administrativa do Estado brasileiro destinada a controlar a vida do cidadão. O primeiro passo faz tempo que foi dado: a informatização do sistema de arrecadação de impostos.


Começou pela Secretaria da Receita Federal com o Imposto de Renda que vem se aprimorando com métodos modernos e abrangentes de acompanhamento dos gastos, investimentos e aplicações financeiras dos contribuintes. A cada ano, sistemas e computadores, modernos e poderosos, são instalados e ativados no devido acompanhamento dos setores econômicos e financeiros de nossas vidas. Hoje já é possível, a partir do seu número de CPF, um completo cruzamento de dados numa radiografia precisa de nossa movimentação financeira. Esse sistema ainda não está completo, pois falta a interação com os governos estaduais e municipais. Mas quanto ao controle, o Estado brasileiro mostra eficiência na arrecadação. É exemplar o sistema implantado. É cada vez mais difícil ludibriar o Estado no que diz respeito à arrecadação, isso para não dizer impossível mesmo. Desde uma simples compra de material escolar às compras imobiliárias e gastos com serviços, tudo, imediatamente, será computado e acompanhado pelo Sistema Central.



Dois problemas se interpõem nessa escalada para um controle online da vida financeira de todos os contribuintes: daqueles que pagam impostos. Primeiro é a falta de investimentos financeiros e tecnológicos por parte de alguns governos estaduais e muitos dos municipais. Para que o controle total e absoluto seja exercido, faz-se necessário que todas as esferas de governo: federais, estaduais e municipais, estejam aparelhadas com tecnologia de ponta para uma perfeita integração dos diversos sistemas. O outro problema crucial é a questão da banda larga. Para que o sistema de arrecadação funcione a contento online é necessário uma banda larga boa, eficiente. Isso quer dizer tráfego de dados rápido para emissão de notas fiscais e transmissão de informações. Como nossa banda larga ainda é ineficiente, ruim e cara, isso dificulta muito o controle total. Mas será uma questão de tempo.


 Como exemplo, cito o caso de um pequeno empresário carioca com empresa instalada no bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em sua região, o sinal da banda larga de seu provedor de serviços não funciona. Ele realiza as vendas e, à noite, em casa, num bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, através de um laptop, computador portátil, complementa seu trabalho,emitindo as notas eletrônicas que não conseguiu expedir durante o dia. Logo algum tipo de investimento ou reparo será realizado por sua operadora e ele estará integrado ao sistema de acompanhamento de controle, online, do governo. Problema maior está nos municípios pelo interior do Brasil. Por lei, a emissão de notas fiscais, todas, em qualquer lugar, deve ser feita por meio eletrônico, online. Os governos são rápidos na exigência da adaptação eletrônica. Isso proporciona controle e aumento de arrecadação imediata. Mas a banda larga é lenta. Fica difícil de entender e prever como essa equação será fechada até que os sistemas estejam, em sua totalidade, operando a contento.


 O governo do Brasil não tem nada a dever aos melhores sistemas de arrecadação do primeiro mundo. É invejável o modelo desenvolvido pela Casa da Moeda e implementado pela Receita Federal no controle da produção de cigarros e bebidas através de selos e aplicados ao produto ainda na linha de produção das fábrica. É possível falsificar, mas sonegar jamais. Faz sucesso no mundo trazendo uma grande receita para a Casa da Moeda do Brasil que vende o sistema para inúmeros países e é conhecido internacionalmente como The Brazilian Mint. O mesmo sistema logo será aplicado nos produtos farmacêuticos. Negociações estão sendo conduzidas junto à ANVISA, a agencia de regulação para o setor de remédios.


 O que sobra em eficiência de gestão e modernidade no modelo de arrecadação, falta no que obrigatoriamente deveria ser fornecido aos mesmos contribuintes em matéria de serviços e conforto. Nem é necessário considerar a qualidade da infraestrutura, da saúde, dos transportes públicos e da educação que nos é ofertada. Com relação a isso, estamos no quinto mundo. Nem tampouco no que diz respeito à organização e padronização do sistema. É incompreensível e inexplicável que ainda hoje, em plena era cibernética, nós, brasileiros, tenhamos uma infinidade de números de documentos necessários para o desempenho de nossas atividades.


O brasileiro tem um número de CPF, o Cadastro de Pessoa Física do Imposto de Renda, um número de CNPJ, o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, um número para o sistema de emissão de carteira de identidade, outro para a carteira profissional, mais outro para a carteira de motorista, outro para o sistema de Previdência Social, mais outro para a emissão de um passaporte e muitos outros para diversas outras atividades. Mas esta história nós já sabemos como funciona. O mesmo Estado que se aparelha e se aprimora para arrecadar é o mesmo que não demonstra nenhum interesse na eficiência de seus gastos e nem tampouco em tornar mais fácil a vida dos seus cidadãos.


 Em cada emissão de um documento, o Estado brasileiro aumenta seus números de arrecadação financeira e conseqüentemente o chamado custo Brasil. Atualmente o governo do Brasil atribui ao bom momento econômico sua gorda arrecadação. Em parte é verdade, mas em outra grande parte deve-se ao aumento da carga tributária onde se enquadram as observações abordadas aqui neste artigo.


 Coitados de nós.
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A SINGULARIDADE

Se você acha muito tudo que já viu e leu sobre a internet, prepare-se para surpresas cada vez maiores. Neste momento, dezenas de cientistas, principalmente nos Estados Unidos, na Inglaterra e em Cingapura, trabalham firme na busca da fusão do sistema nervoso humano com a internet. Seria a criação da rede mundial de mentes.

 Cerca de trinta anos atrás, um autor científico chamado David Ritchie escreveu um livro chamado O CÉREBRO BINÁRIO ( Bookstore.com e Amazon.com a US 6,95) em inglês The Binary Brain. Nesta obra ele comemora “a síntese da inteligência humana e da inteligência artificial”, encontrada em algo que ele chamou de biochip. Ele se maravilhava com o encontro de tal possibilidade a ponto de escrever que “plugaríamos à memória de um computador tão facilmente como calçamos nossos sapatos. Nossa mente será preenchida pelas informações armazenadas no computador e poderíamos virar especialistas em qualquer assunto instantaneamente”. E previa que veríamos isso antes do final do século XX.Ainda não chegamos lá, mas...

Pesquisa realizada pela revista The New York Review of Books localizou na Universidade de Brown, em Washington, nos Estados Unidos, o professor Theodore Berger que pesquisa há décadas próteses neurais. Ele começou a implantar em ratos um dispositivo que contorna o hipocampo de um cérebro danificado e trabalha no lugar da região afetada. Essa invenção está próxima de uma solução para a perda de memória corriqueira quanto para a perda patológica, principalmente, aquela associada ao Alzheimer. A esse processo também se dá o nome de SINGULARIDADE.

A mesma revista americana localizou um escritor chamado Michael Chorost. Ele ficou totalmente surdo no ano de 2001. Ele nasceu nos EUA com grave perda de audição devido à rubéola. Sua audição foi recuperada quando fez implantes cocleares em seus ouvidos. O resultado mudou radicalmente a sua vida, a ponto de escrever um livro sobre o assunto chamado REDE MUNDIAL DE CÉREBROS: a integração vindoura entre a humanidade, máquinas e a internet. Na obra, ele defende a idéia de instalar computadores intracerebrais em todos os seres humanos. Assim, “assegura que a internet seria parte integral do ser humano e seu uso seria tão natural quanto o de nossas próprias mãos”. Não é uma idéia nova.

Já no século XVII, o pensador e filósofo francês Descartes (1596 a 1650) que também era físico e matemático, em sua obra O DISCURSO DO MÉTODO ( saraiva.com a RS 6,90) trazia a idéia de que “eu sou uma máquina que pensa. Os meus músculos são comandados pelo cérebro através do sistema nervoso” - Tratado do Homem. Ele acreditava que certas atividades humanas poderiam ser realizadas por máquinas, mas com algumas restrições. Na mesma obra, ele nega ao homem a capacidade de compreender de modo a responder ao sentido de tudo o que se diz na sua presença.

 É claro que Descartes não previa computadores, e nem mesmo a SINGULARIDADE. Seus estudos buscavam ou negavam Deus. Por isso a Igreja não lhe deu sossego e o excomungou. Sua visão de máquina humana estava mais ligada à metafísica que à evolução tecnológica. Mas um dado curioso em minhas pesquisas é que todos os gênios da era tecnologicamente avançada justificam seus inventos a partir de raciocínios filosóficos.

 Descartes negava Deus diante de sua extraordinária capacidade de razão. Mas que razão era essa que nem sempre o levava à sensatez? No mesmo “Discurso do Método”, uma das obras-primas da filosofia moderna, Descartes nos diz que, “de todos os que procuraram a verdade científica, só os matemáticos a encontraram, só os matemáticos formularam algumas demonstrações. Conseguiram demonstrar alguma coisa, com razões certas e evidentes”. É nessa época que ele encontra um método para tentar fundir as vantagens da lógica, da geometria e da álgebra. E é também quando formula as famosas quatro regras fundamentais.

A SINGULARIDADE começa a nascer na Idade Média, no Renascimento, quando surge a mecânica e com ela o aperfeiçoamento do mecanismo do relógio, uma nova concepção do homem. Dando um salto gigantesco na história, temos também Bill Joy, no século XX, fundador da Sun Microsystems, em 1992, publicou no ano 2000 o artigo “Por que o futuro não precisa de nós?”, em que defende a idéia de que as máquinas inteligentes são perigosas demais e poderão facilmente fugir do nosso controle.

 Com o tempo a SINGULARIDADE (etimologicamente se origina do substantivo SINGULAR) encampou toda a síntese de explicações para a Singularidade Matemática. A enciclopédia Wikipédia define como o ponto onde uma função matemática assume valores infinitos e sem comportamento definido. Complicado. E daí saltamos para a Singularidade Tecnológica quando o computador desenvolve sua própria inteligência.

Nas palavras de Ray Kurzweil, um dos fundadores da Microsoft e inventor da máquina de leitura para cegos, em 2045, a parte artificial da inteligência da civilização de homens-máquinas será um bilhão de vezes mais poderosa do que a parte biológica. Isso significa que teremos ampliado um bilhão de vezes a inteligência dessa civilização. É uma mudança tão profunda que a chamamos de SINGULARIDADE.

Ray Kurzweil é autor, pesquisador e inventor. É também um dos profetas da tecnologia mais respeitados no mundo. Em recente livro, The Singularity is Near (A Singularidade está Próxima- Amazon.com) ainda sem tradução para o português, afirma que em 2029 a humanidade terá disponíveis os recursos de inteligência artificial necessários para que máquinas atinjam a inteligência humana, inclusive a inteligência emocional.

 E se você quiser saber mais, busque na internet ou nas livrarias outro livro desse gênio chamado A ERA DAS MÁQUINAS ESPIRITUAIS, em inglês The Age of Spiritual Machines ( Amazon.com). Vai se maravilhar com a leitura fascinante e assustadora. Sobre o livro, a melhor definição vem de seu sócio Bill Gattes:

 - Quando Ray faz uma previsão, é melhor prestar atenção.

Ray Kurzweil é ousado, audacioso, porém realista e possuidor de um profundo conhecimento histórico da evolução do homem. Sendo assim, observa com propriedade que “há quinhentos anos atrás, pouca coisa acontecia em um século. Agora muita coisa acontece em apenas seis meses. A tecnologia alimenta a si própria e fica cada vez mais rápida e não vai parar. E daqui a quarenta anos, o ritmo da mudança será tão assustadoramente rápido que não seremos capazes de acompanhá-lo, a menos que aumentemos nossa própria inteligência fundindo-se com a tecnologia inteligente que estamos criando”.


 Esse avanço científico HOMEM-COMPUTADOR é o que nos leva à Inteligência Artificial (I.A.), a superinteligência. Mas, tudo que as equações matemáticas não conseguem mais explicar, os cientistas passam para a ciência física criando a integração tecnológica. E com ela, eles estudam os buracos negros do universo. Tudo isso está muito longe de nós, fora do nosso alcance e do entendimento dos mortais. Estudos e pesquisas realizados ao longo dos tempos garantem que imprescindíveis para o avanço da I.A. foram os trabalhos dos matemáticos dos séculos XVII a XIX. E que no século XX, quando surge a figura de Alan Turing, em 1956, é que a Inteligência Artificial começa a ser reconhecida como ciência.( Alan Turing - Home Page www.turing.org.uk/turing/Em )
 Hoje, o desenvolvimento da SINGULARIDADE está ligado à ciência dos computadores e cada vez mais a I. A.Incompreensível para os mortais, mas muito importante para o desenvolvimento do homem e do prolongamento da vida. De nossas vidas.
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sábado, 28 de janeiro de 2012

MARATONA DE HACKERS

O ser humano é provido de um rosário de sentimentos nobres e uma penca de outros nada nobres, para não dizer mesquinhos, ultrajantes e sórdidos. Indivíduos são movidos, às vezes, por opiniões e atos estúpidos associados a oportunismo, preconceito, intolerância, estupidez, ganância, inveja, insensatez e vilania. Nada disso impede ou limita a sua capacidade criativa e sua força realizadora. Há um tipo que produz, realiza e dota a humanidade de trunfos sem precedentes na história do homem. E no que diz respeito a tecnologias os exemplos são infinitos e quase diários. Um exército de homens criadores, privilegiados por neurônios férteis, não param de surpreender o mundo e dotar nossas vidas de instrumentos modernos e ágeis na chamada tecnologia da informação.

Enquanto navegamos nesse mar de conhecimentos e novidades que tornou o mundo uma pequena caixa de fósforos, e sem fios, desconhecemos que existe um outro exército criativo produzindo e disseminando o vírus do mal. Dotados de uma inteligência superior, indivíduos jovens, em sua imensa maioria homens, dedicam-se a criar e produzir, e a disseminar na rede uma família de vírus, causando estragos de toda ordem, e sobretudo prejudicando, roubando, atrasando, destruindo e infectando o trabalho de milhões de pessoas e empresas nos quatro cantos do planeta. São eles os hackers ou crackers. Muitas vezes, sem objetivo definido, outras com o declarado intuito de roubar, dedicam-se com maestria a criarem programas perfeitos.

O grande esforço da indústria da tecnologia da informação, hoje, além de criar, é encontrar uma fórmula salvadora, se é que ela existe mesmo, destinada a incorporar os hackers ao mundo legal. Dessa forma, nos Estados Unidos, um grupo de pessoas e empresas se reúne, anualmente, coordenados por um blog, o TechCrunch, numa maratona conhecida como “hackatona”, como se fora um encontro de bandas musicais em local pré-escolhido e ali quem apresentar ou compuser na hora a melhor música leva o prêmio. Só que o troféu pode significar algumas dezenas de milhões de dólares. Em junho de 2010, durante a maratona de hackers, realizada em Nova York, a hackatona, os fundadores da empresa GroupMe, dois jovens, Martocci (Steve) e Hecht (Jared), criaram em apenas 24 horas um serviço para enviar mensagens de textos para grupos. Alguns meses depois, a empresa Skype comprou o projeto pela bagatela de 80 milhões de dólares. Desde então, a Yahoo.com criou o Dia do Hack que é celebrado na hackatona.

Essas maratonas vêm deixando de serem encontros onde jovens se reúnem para fumar e beber, sem censuras, para se tornarem uma competição aberta e criativa entre programadores de computador, os hackers. Nesses encontros, eles criam aplicativos na hora e repassam para empreendedores que irão usar como plataformas em suas empresas iniciantes. As grandes empresas gostaram da ideia e lá plantam seus olheiros nessa forma divertida e barata de inovar. Segundo o editor do site TechCrunch, de cada 100 projetos exibidos no palco da hackatona cerca de 70 costuma evoluir para algo e apenas 30 por cento viram projeto de verdade, e cinco costumam virar empresas.

A ideia não é nova. O site Facebook costuma realizar sua hackatona entre seus próprios funcionários a cada oito semanas em um determinado lugar escolhido pelos jovens empregados. Uma média de 300 funcionários costuma se inscrever para os encontros que levam 8 horas de duração. Já houve encontro que rendeu 50 projetos. Nem todos são aproveitáveis, mas em pelo menos em um nasceu o aplicativo “CURTIR” do Facebook. Os investidores já descobriram este celeiro de oportunidades, assim como os governos das cidades americanas. O primeiro foi o da cidade de Nova York que lançou o concurso ReiventeNY.gov atualizando seu site, coisa que não era feita há cinco anos. O mesmo Facebook recorreu a hackers independentes pagando 40 mil dólares para que um grupo deles localizasse falhas em site. Com este gesto, a empresa pretende institucionalizar um programa de recompensa pela descoberta de vírus em seu site. Botou o ladrão dentro de casa para tomar conta do terreiro. Para o diretor de segurança do Facebook, Joe Sullivan, “há muitos especialistas em segurança, talentosos e bem intencionados, em todas as partes do mundo que não trabalham para o Facebook. Estabelecemos um programa de recompensa à detecção de vírus em um esforço para reconhecer e remunerar esses indivíduos pelo seu bom trabalho e encorajar outros a se unirem a nós”, declarou ao jornal Financial Times, de Londres.

 O Google e o Mozilla também oferecem pagamentos a pessoas de fora que encontram vulnerabilidades em seus softwares. A melhor explicação para definir essa história de vírus em nossos computadores me foi dada pelo sérvio Zivota Nokolic, assistente técnico para problemas em rede do meu escritório e computadores pessoais. Desafiado pela falta de qualidade ampliada dos antivírus, gratuitos, ele com uma resposta sábia e objetiva atesta: - E daí? As ruas estão cheias de policiais e nem por isso os bandidos deixam de agir. Transfira essa sentença para o seu PC. Por mais protegido que ele esteja, convém estar sempre atento à questão dos vírus. O mesmo vale para as grandes e pequenas empresas, visto que estas são as mais vulneráveis para a atuação dos hackers.

 Sem conhecimento do proprietário Joe Angelastri, larápios cibernéticos implantaram softwares nos caixas de suas pequenas lojas de venda de revistas, em Chicago, EUA, que, por sua vez, enviou para a Rússia dados de clientes que pagaram com cartão de crédito. A Mastercard, emissora do cartão, exigiu dele uma investigação por conta própria na qual ele teve de gastar cerca de 22 mil dólares. Em depoimento ao jornal Wall Street Journal, Angelastri se mostrou estupefato diante das evidências concretas de invasão de seu micro sistema de controle de pagamentos. Mas, segundo o jornal, a moda em terras americanas para os hackers é invadir os caixas das pequenas empresas. São mais fáceis em questão de defesa eletrônica e demoram a agir. Com isso os ladrões ficam com tempo de sobra para sumirem com as pegadas. Além disso, seus proprietários não costumam se precaver eletronicamente.


 Nas palavras de Dean Kinsman, agente especial da divisão de crimes cibernéticos do FBI, a polícia federal americana, falando ao mesmo Wall Street, afirma que “a invasão a sistemas de pequenas empresas nos Estados Unidos é um problema fértil”. Revela que existem 400 inquéritos em andamento para esse tipo de crime e que “antes de melhorar, ainda vai ficar muito pior”.

O delegado Carlos Eduardo Miguel Sobral, da Polícia Federal brasileira e chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos, na mesma reportagem, adverte que as pequenas empresas são mais vulneráveis quando se informatizam. Ele acredita que é uma questão de tempo para que os hackers também comecem a atacar os sistemas de pequenas empresas brasileiras. E deixa uma sugestão: - O ideal é que toda empresa que armazena dados com valor econômico invista em segurança, usando dados criptografados e mais camadas de proteção.






terça-feira, 20 de dezembro de 2011

OS MAIORES HACKERS



                     
OS MAIORES HACKERS
                                                          
Por Aleluia, Hildeberto.

Mais parece uma luta de fantasmas travada nas sombras. Nessa história de hackers ou crackers, também parece fantasia na hora de apontar este ou aquele. Quase ninguém conhece um hacker ou um craker. Mas eles existem sim. Há até um site que os qualifica como os do bem e os do mal. E os relacionam por nome, idade e origem. É o IT Security, dos Estados Unidos. Recentemente ele listou os cinco maiores hackers éticos, aqueles que seriam os hackers do bem, e os dez maiores hackers malignos. Eu chamaria estes de crackers.

Os cinco maiores hackers conhecidos até hoje, desde o aparecimento da Internet, fazem parte de uma lista em que se destacam os americanos Stephen Wozniak, um dos fundadores da Apple; Tim Berners-Lee, o inventor da WEB, Linus Torvalds, inventor do Linux, e Richard Stallman, inventor do projeto GNU de software livre. O quinto gênio da lista é o japonês Tsutomu Shimomura, tido como o homem que destruiu outro hacker famoso chamado Kevin Mitnick, considerado o maior, desde o advento da rede. O japonês teve seu computador invadido pelo Mitnick e como vingança o denunciou ao FBI, a polícia federal americana, que o rastreou e o colocou na cadeia onde cumpriu pena.

Como já vimos aqui, nesse mundo de hackers e crackers o bem e o mal caminham juntinhos. Os hackers clandestinos são poucos, comparados à multidão que hoje opera legalmente contratada por empresas e governos, para testarem os sistemas de segurança. Outros chegam à legalidade ao invadirem sites de empresas e governos, sem permissão, e depois tentam vender seus serviços de proteção, atuando no mesmo estilo conhecido da velha máfia. O certo mesmo é que não existe internauta imune às suas táticas e que não tenha sido vítima de seus vírus ou prejudicado pela queda de servidores que eles derrubam com seus ataques.

Aos poucos, o chamado cibercrime está deixando de ficar impune e muitos dos gênios do mal já repousaram ou repousam atrás das grades. Como a utilização da Internet ainda é muito recente, cada país busca uma legislação específica para reger e punir os criminosos da rede. Não tem sido fácil essa caminhada, desde a tipificação do que é crime no mundo cibernético até a articulação legal entre os países para fazer frente aos crimes de alcance global, como existe nos casos de crimes tradicionais. Um bom exemplo seria a Interpol (polícia internacional). Num assalto a banco tradicional, todos sabem o que fazer para buscar, prender e punir os criminosos. Num assalto virtual, um hacker instalado em sua casa no Rio de Janeiro, Brasil, pode muito bem invadir um banco e roubar seus fundos em Portugal, na Europa ou na Tailândia, na Ásia. Ainda não existe um manual de como fazer para prender e punir esse ladrão. E também por isso é grande a onda de crimes praticados na Internet. Nos últimos anos, diminuiu bastante o ataque solitário de um hacker. Agora eles passaram a atuar em grupos. É claro que as coisas mudaram muito desde 2005. A segurança da rede hoje é bem maior e a vigilância também.

Outro fato interessante é que mais de 90 por cento dos criminosos são homens, com idade entre 15 e 35 anos, no máximo. Vejamos aqui uma lista levantada pelo blog Blogpaedia, especializado no assunto com os nomes daqueles que são considerados os dez mais dos crimes dos primeiros quinze anos da Internet:

Jonathan James- americano
Crimes: Invasões, criação de Back Doors.

Seus ataques aconteceram no ano de 1999. Foi o primeiro adolescente a ser mandado para a prisão por atividade hacker. Foi sentenciado quando tinha 16 anos. Numa entrevista confessou:

  “Eu estava apenas procurando algo para me divertir, desafios que testassem os meus limites”.

James concentrava seus ataques nas agências governamentais americanas. Ele instalou um back door no servidor do Departamento de Combate às Ameaças. A DTRA é uma agência do Departamento de Defesa responsável pelo tratamento de ameaças nucleares, biológicas, químicas e armas convencionais no território dos USA. O back door instalado nos computadores do governo permitiu ao hacker o acesso a e-mails confidenciais e nomes de usuário e senhas de altos funcionários.
Ele invadiu também os computadores da NASA e roubou o código fonte de um software de 1,7 milhões de dólares. De acordo com o Departamento de Justiça, o software dava suporte à estação espacial internacional,como o controle de temperatura e umidade e sustentação da vida no espaço. A NASA foi forçada a desligar seus computadores ao custo de 41 mil dólares. Placidamente, James informou que baixou o código para complementar seus estudos em programação C, porém desdenhou: “o código era completamente horroroso... e certamente não valia aquele valor todo alegado pela NASA”.

Se James fosse um adulto, pegaria muitos anos de cadeia. Foi banido seu acesso a computadores, porém cumpriu posteriormente seis meses de prisão por violação aos termos da liberdade condicional. Morreu no ano de 2008, aparentemente de suicídio. É o que contam.



Gary McKinnon- Escocês
Crimes: Invasões dos sistemas militares dos USA.

O escocês que usava o nickname “Solo” perpetrou aquele que foi considerado o maior hacker da história da computação: invadiu o sistema militar de defesa dos USA. Não satisfeito com isto, nos anos de 2001 e 2002, roubou informações de segurança da NASA e do Pentágono.

Punição: Atualmente, está em liberdade no seu país natal, aguardando o desfecho de um pedido de extradição dos Estados Unidos, mas está proibido de utilizar computadores que tenham acesso à Internet.



Vladimir Levin - Russo
Crimes: Roubou dez milhões de dólares de contas do Citibank. É considerado um hacker tipo banker.
Graduado em Bioquímica e Ciências Matemáticas pela Universidade de São Petersburgo de Tecnologia da Informação, Rússia, Levin foi acusado de ser o cérebro por trás de uma série de fraudes que lhe permitiram amealhar dez milhões de dólares de contas corporativas do Citibank.

Foi preso pela Interpol no aeroporto inglês de Heathrow em 1995 e extraditado para os USA. As investigações concluíram que os ataques partiram do computador da empresa onde Levin trabalhava. O que foi sugado das contas do Citibank foi convenientemente espalhado por contas em outros países, tais como Finlândia, Israel e no próprio Estados Unidos.

Punição: Apesar do alto valor roubado, Levin foi sentenciado apenas a três anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 240 mil dólares para o Citibank, já que as companhias de seguros haviam coberto o rombo nas contas das empresas lesadas.



Kevin Poulsen- americano
Crimes: Hacker do tipo phreaker – autor de invasões de serviços de telefonia.
Tornou-se jornalista e colabora com as autoridades para rastrear pedófilos na Internet, mas o passado de Poulsen o condena, já que teve uma vida pretérita de cracker e phreaker. A ação bombástica que lhe trouxe grande notoriedade foi ter assumido o controle de todo o sistema telefônico de Los Angeles em 1990. A razão era muito simples, Poulsen queria ganhar um Porsche de prêmio oferecido por uma rádio para o 102º ouvinte que ligasse. Imagine de quem foi a 102ª ligação?
Punição: Cinquenta e um meses de prisão e pagamento de cinquenta e seis mil dólares de multa. Hoje ele se diz um cara regenerado.



Timothy Lloyd- americano
Crimes: Sabotador cibernético.

Em 1996, uma companhia de serviços de informações, a Omega, prestadora de serviços para a NASA e para a Marinha Americana sofreu 10 milhões de dólares em prejuízos, causados nada mais nada menos por Tim Lloyd, um ex-funcionário demitido semanas antes. O rombo financeiro foi causado por um código-bomba deixado nos sistemas de informação da empresa que foi disparado no dia 31 de julho do mesmo ano.
Punição: Um júri popular condenou Lloyd em maio de 2000. A condenação teve vida curta e foi revogada em agosto de 2000, motivada pela mudança de voto de um dos jurados, o que provocou uma reviravolta no caso. Cessadas as pendências judiciais, ele foi finalmente condenado em 2002,  a 41 meses de prisão e ao pagamento de 2 milhões de dólares de multa.



Robert Tappan Morris- americano
Crimes: Criador de Worms.

No dia 2 de novembro de 1988, Robert Tappan Morris, estudante da Universidade Cornell, estava no MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts) distribuindo o que seria considerado o primeiro código malicioso a se espalhar pela internet. O “Morris worm”, como ficou conhecido, alastrou-se rapidamente e inutilizou muitos sistemas que contaminou. Estimativas sugerem que a praga infectou 10% dos 60 mil computadores que formavam a rede mundial da época.

Robert cometeu o erro de se gabar em chats o seu feito e os métodos empregados. Neste ínterim, a polícia rastreou as atividades do hacker e acabou descobrindo o seu paradeiro.

Punição: Morris foi o primeiro indivíduo processado sob a nova lei de Fraude e Abuso Computacional dos USA, porém a condenação se restringiu a prestação de serviços comunitários e a pagamento de fiança, já que foi acatada a tese da defesa de que os arquivos das máquinas infectadas não haviam sido destruídos. No entanto, os prejuízos deixados pelo worm de Morris, foram de 15 milhões de dólares.
A façanha de Morris provocou a criação da Divisão anti-ciberterrorismo (CERT Computer Emergency Response Team), que se encarregou de enfrentar futuros problemas agudos de invasões em massa de computadores no território dos EUA.


David Smith- Americano
Crimes: Invasões e criação de vírus.

Não é qualquer um que consegue criar e espalhar instantaneamente um vírus mortal no mundo, de um só golpe. David Smith pôde. Em 1999, o vírus Melissa infectou e derrubou cerca de 100 mil contas de email.
Nascido em Aberdeen, Nova Jersey, David L. Smith aos 31 anos de idade foi acusado de criar o terrível vírus Melissa que se propagou velozmente por centenas de milhões de computadores do mundo. A era da celebridade hacker havia começado, pela primeira vez um deles aparecia diante de centenas de câmeras de televisão e fotógrafos das agências de notícias, quando da sua saída da Corte Superior do Condado de Monmouth. Suas acusações: interrupção das comunicações públicas e conspiração para o cometimento do delito de roubo de serviços de computadores em terceiro grau.

Punição: se o crime fosse hoje Smith teria levado pelo menos uns 40 anos de prisão, além de uma pesada multa de milhões de dólares. Como na época o crime compensava, apesar de ter sido condenado, acabou indo para a rua mediante pagamento de fiança.


Michael Calce- Canadense
Crimes: Perpetrador de ataques do tipo DoS ou Denial of Service Attack (Ataque de Negação de Serviços).

Em fevereiro de 2000, vários dos mais importantes serviços online dos USA, tais como eBay, Yahoo e Amazon sofreram ataques DoS, que derrubaram os servidores e causaram 1,7 milhões de dólares em prejuízos. Após o ataque anunciou aos quatro cantos sua façanha. Apareceu nos chats e fóruns um tal de MafiaBoy assumindo os feitos e se gabando perante os seus colegas de escola. A partir do perfil fake MafiaBoy chegar ao Michael Calce foi só uma questão de tempo para os serviços anticrimes eletrônicos, que pacientemente monitoraram os rastros das suas atividades e chegaram à sua casa.

Punição: Foi indiciado inicialmente. Depois das acusações que pesavam sobre ele, seu advogado defendeu a tese de que a “criança” estava apenas “testando” os sistemas de segurança das empresas atacadas. A Corte de Justiça de Montreal o sentenciou em setembro de 2001 a 8 meses de detenção num centro de reabilitação juvenil, um ano de liberdade condicional e restrições no uso da Internet.



Mark Abene- americano
Crimes: Atividades phreaker e invasões de computadores.

Em 1993, o grupo MOD foram os primeiros crackers a serem capturados por invasão de sistemas públicos de telefonia. Os rapazes adquiriram grande fama por terem desenvolvido esquemas para driblar o pagamento de chamadas telefônicas de longa distância e, além disto, eles conseguiam grampear as linhas e criar salas de bate-papo que compartilhavam com amigos.

Paralelamente à atividade phreaker, os MOD hackearam bancos de dados da Agência Nacional de Segurança, da AT&T e do Bank of America. Também invadiram os registros de uma agência de crédito, que lhes permitiram recolher informações confidenciais de ricos e famosos.


O criador do grupo MOD foi Mark Abene, nascido em 1972, que se tornou mais conhecido pelo seu nickname Phiber Optick.

Punição: Em 1994, Abene foi sentenciado a um ano de prisão pelas acusações de conspiração e acessos não autorizados a computadores e sistemas de telefonia. Os demais integrantes do MOD também foram punidos e o grupo desbaratado.



Kevin Mitnick- americano

Crimes:  Atividades Phreaker, Invasões e banker.

Mitnick se tornou conhecido mundialmente como o pai dos hackers. Sua carreira começou aos 16 anos, quando obcecado por redes de computadores, conseguiu invadir o sistema administrativo da sua escola. Para Kevin, o fazer diário dos seus próximos 10 anos de vida foi explorar vulnerabilidades de computadores alheios e sistemas telefônicos.

A grande notoriedade de Mitnick foi alcançada em virtude dele ter cunhado uma nova profissão: hacker em tempo integral. Segundo o departamento de justiça dos USA este terrorista eletrônico, também conhecido como “El Condor”, criou números telefônicos isentos de contas, apropriou-se de mais de 20 mil números de cartões de créditos de californianos e fugiu do FBI por mais de dois anos, portando somente um telefone celular e um notebook.

A ruína de Mitnick aconteceu pelas mãos de outro hacker, mas este um hacker do bem ou ético. Estando atrás de brechas em sistemas telefônicos, El Condor se deparou com o computador de Tsutomu Shimomura, que conseguiu invadir no natal de 1994. Na sua qualidade de físico, programador e especialistas de sistemas de segurança do supercomputador de San Diego, Califórnia, o japonês se sentiu ultrajado quando deparou com a marca registrada que Mitnick deixava em cada computador invadido. Deste dia em diante Shimomura dedicou 100% do seu tempo para farejar os traços eletrônicos deixados na rede pelas atividades ilegais de Mitnick. Ao juntar os seus esforços ao FBI que já estava há dois anos na cola do hacker, em pouco tempo eles conseguiram rastrear e localizar geograficamente o lugar onde Mitnick se achava alojado.

Punição: Mitnick foi preso em 1988 pela acusação de invasão do sistema da Digital Equipment. Foi condenado por fraude em computadores e pela obtenção ilegal de códigos de acesso à telefonia de longa distância. Complementando a sentença, o hacker foi proibido de usar telefones na prisão, sob a alegação de que o prisioneiro poderia conseguir acesso a computadores através de qualquer telefone. Mediante petição de Mitnick, o juiz o autorizou a telefonar somente para o seu advogado, esposa, mãe e avó, sob a severa vigilância de um carcereiro.

Atualmente, Mitnick é um honesto consultor sênior e presta auditorias de segurança para empresas através da sua empresa Mitnick Security.

Aleluia, Hildeberto é jornalista.