OS MAIORES HACKERS
Por Aleluia, Hildeberto.
Mais parece uma luta de fantasmas travada nas sombras. Nessa
história de hackers ou crackers, também parece fantasia na hora de apontar este
ou aquele. Quase ninguém conhece um hacker ou um craker. Mas eles existem sim. Há
até um site que os qualifica como os do bem e os do mal. E os relacionam por nome,
idade e origem. É o IT Security, dos Estados Unidos. Recentemente ele listou os
cinco maiores hackers éticos, aqueles que seriam os hackers do bem, e os dez
maiores hackers malignos. Eu chamaria estes de crackers.
Os cinco maiores hackers conhecidos até hoje, desde o
aparecimento da Internet, fazem parte de uma lista em que se destacam os
americanos Stephen Wozniak, um dos fundadores da Apple; Tim Berners-Lee, o
inventor da WEB, Linus Torvalds, inventor do Linux, e Richard Stallman, inventor
do projeto GNU de software livre. O quinto gênio da lista é o japonês Tsutomu
Shimomura, tido como o homem que destruiu outro hacker famoso chamado Kevin
Mitnick, considerado o maior, desde o advento da rede. O japonês teve seu
computador invadido pelo Mitnick e como vingança o denunciou ao FBI, a polícia
federal americana, que o rastreou e o colocou na cadeia onde cumpriu pena.
Como já vimos aqui, nesse mundo de hackers e crackers o bem e
o mal caminham juntinhos. Os hackers clandestinos são poucos, comparados à multidão
que hoje opera legalmente contratada por empresas e governos, para testarem os
sistemas de segurança. Outros chegam à legalidade ao invadirem sites de
empresas e governos, sem permissão, e depois tentam vender seus serviços de
proteção, atuando no mesmo estilo conhecido da velha máfia. O certo mesmo é que
não existe internauta imune às suas táticas e que não tenha sido vítima de seus
vírus ou prejudicado pela queda de servidores que eles derrubam com seus
ataques.
Aos poucos, o chamado cibercrime está deixando de ficar
impune e muitos dos gênios do mal já repousaram ou repousam atrás das grades.
Como a utilização da Internet ainda é muito recente, cada país busca uma
legislação específica para reger e punir os criminosos da rede. Não tem sido
fácil essa caminhada, desde a tipificação do que é crime no mundo cibernético
até a articulação legal entre os países para fazer frente aos crimes de alcance
global, como existe nos casos de crimes tradicionais. Um bom exemplo seria a
Interpol (polícia internacional). Num assalto a banco tradicional, todos sabem
o que fazer para buscar, prender e punir os criminosos. Num assalto virtual, um
hacker instalado em sua casa no Rio de Janeiro, Brasil, pode muito bem invadir
um banco e roubar seus fundos em Portugal, na Europa ou na Tailândia, na Ásia.
Ainda não existe um manual de como fazer para prender e punir esse ladrão. E
também por isso é grande a onda de crimes praticados na Internet. Nos últimos
anos, diminuiu bastante o ataque solitário de um hacker. Agora eles passaram a
atuar em grupos. É claro que as coisas mudaram muito desde 2005. A segurança da rede
hoje é bem maior e a vigilância também.
Outro fato interessante é que mais de 90 por cento dos criminosos
são homens, com idade entre 15 e 35 anos, no máximo. Vejamos aqui uma lista
levantada pelo blog Blogpaedia, especializado no assunto com os nomes daqueles que são
considerados os dez mais dos crimes dos primeiros quinze anos da Internet:
Jonathan James- americano
Crimes: Invasões, criação de Back Doors.
Seus ataques aconteceram no ano de 1999. Foi o primeiro
adolescente a ser mandado para a prisão por atividade hacker. Foi sentenciado
quando tinha 16 anos. Numa entrevista confessou:
“Eu estava apenas
procurando algo para me divertir, desafios que testassem os meus limites”.
James concentrava seus ataques nas agências governamentais
americanas. Ele instalou um back door no servidor do Departamento de Combate às
Ameaças. A DTRA é uma agência do Departamento de Defesa responsável pelo
tratamento de ameaças nucleares, biológicas, químicas e armas convencionais no
território dos USA. O back door instalado nos computadores do governo permitiu
ao hacker o acesso a e-mails confidenciais e nomes de usuário e senhas de altos
funcionários.
Ele invadiu também os computadores da NASA e roubou o código
fonte de um software de 1,7 milhões de dólares. De acordo com o Departamento de
Justiça, o software dava suporte à estação espacial internacional,como o
controle de temperatura e umidade e sustentação da vida no espaço. A NASA foi
forçada a desligar seus computadores ao custo de 41 mil dólares. Placidamente,
James informou que baixou o código para complementar seus estudos em
programação C, porém desdenhou: “o código era completamente horroroso... e
certamente não valia aquele valor todo alegado pela NASA”.
Se James fosse um adulto, pegaria muitos anos de cadeia. Foi
banido seu acesso a computadores, porém cumpriu posteriormente seis meses de
prisão por violação aos termos da liberdade condicional. Morreu no ano de 2008,
aparentemente de suicídio. É o que contam.
Gary McKinnon- Escocês
Crimes: Invasões dos sistemas militares dos USA.
O escocês que usava o nickname “Solo” perpetrou aquele que
foi considerado o maior hacker da história da computação: invadiu o sistema
militar de defesa dos USA. Não satisfeito com isto, nos anos de 2001 e 2002,
roubou informações de segurança da NASA e do Pentágono.
Punição: Atualmente, está em liberdade no seu país natal,
aguardando o desfecho de um pedido de extradição dos Estados Unidos, mas está
proibido de utilizar computadores que tenham acesso à Internet.
Vladimir Levin - Russo
Crimes: Roubou dez milhões de dólares de contas do Citibank.
É considerado um hacker tipo banker.
Graduado em Bioquímica e Ciências Matemáticas pela
Universidade de São Petersburgo de Tecnologia da Informação, Rússia, Levin foi
acusado de ser o cérebro por trás de uma série de fraudes que lhe permitiram
amealhar dez milhões de dólares de contas corporativas do Citibank.
Foi preso pela Interpol no aeroporto inglês de Heathrow em
1995 e extraditado para os USA. As investigações concluíram que os ataques
partiram do computador da empresa onde Levin trabalhava. O que foi sugado das
contas do Citibank foi convenientemente espalhado por contas em outros países,
tais como Finlândia, Israel e no próprio Estados Unidos.
Punição: Apesar do alto valor roubado, Levin foi sentenciado
apenas a três anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 240 mil dólares
para o Citibank, já que as companhias de seguros haviam coberto o rombo nas
contas das empresas lesadas.
Kevin Poulsen- americano
Crimes: Hacker do tipo phreaker – autor de invasões de
serviços de telefonia.
Tornou-se jornalista e colabora com as autoridades para
rastrear pedófilos na Internet, mas o passado de Poulsen o condena, já que teve
uma vida pretérita de cracker e phreaker. A ação bombástica que lhe trouxe
grande notoriedade foi ter assumido o controle de todo o sistema telefônico de
Los Angeles em 1990. A
razão era muito simples, Poulsen queria ganhar um Porsche de prêmio oferecido
por uma rádio para o 102º ouvinte que ligasse. Imagine de quem foi a 102ª
ligação?
Punição: Cinquenta e um meses de prisão e pagamento de
cinquenta e seis mil dólares de multa. Hoje ele se diz um cara regenerado.
Timothy Lloyd- americano
Crimes: Sabotador cibernético.
Em 1996, uma companhia de serviços de informações, a Omega,
prestadora de serviços para a NASA e para a Marinha Americana sofreu 10 milhões
de dólares em prejuízos, causados nada mais nada menos por Tim Lloyd, um
ex-funcionário demitido semanas antes. O rombo financeiro foi causado por um
código-bomba deixado nos sistemas de informação da empresa que foi disparado no
dia 31 de julho do mesmo ano.
Punição: Um júri popular condenou Lloyd em maio de 2000. A condenação teve
vida curta e foi revogada em agosto de 2000, motivada pela mudança de voto de
um dos jurados, o que provocou uma reviravolta no caso. Cessadas as pendências
judiciais, ele foi finalmente condenado em 2002, a 41 meses de prisão e ao pagamento de 2
milhões de dólares de multa.
Robert Tappan Morris- americano
Crimes: Criador de Worms.
No dia 2 de novembro de 1988, Robert Tappan Morris, estudante
da Universidade Cornell, estava no MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts)
distribuindo o que seria considerado o primeiro código malicioso a se espalhar
pela internet. O “Morris worm”, como ficou conhecido, alastrou-se rapidamente e
inutilizou muitos sistemas que contaminou. Estimativas sugerem que a praga
infectou 10% dos 60 mil computadores que formavam a rede mundial da época.
Robert cometeu o erro de se gabar em chats o seu feito e os
métodos empregados. Neste ínterim, a polícia rastreou as atividades do hacker e
acabou descobrindo o seu paradeiro.
Punição: Morris foi o primeiro indivíduo processado sob a
nova lei de Fraude e Abuso Computacional dos USA, porém a condenação se
restringiu a prestação de serviços comunitários e a pagamento de fiança, já que
foi acatada a tese da defesa de que os arquivos das máquinas infectadas não
haviam sido destruídos. No entanto, os prejuízos deixados pelo worm de Morris,
foram de 15 milhões de dólares.
A façanha de Morris provocou a criação da Divisão
anti-ciberterrorismo (CERT Computer Emergency Response Team), que se encarregou
de enfrentar futuros problemas agudos de invasões em massa de computadores no
território dos EUA.
David Smith- Americano
Crimes: Invasões e criação de vírus.
Não é qualquer um que consegue criar e espalhar
instantaneamente um vírus mortal no mundo, de um só golpe. David Smith pôde. Em
1999, o vírus Melissa infectou e derrubou cerca de 100 mil contas de email.
Nascido em Aberdeen, Nova Jersey, David L. Smith aos 31 anos
de idade foi acusado de criar o terrível vírus Melissa que se propagou velozmente
por centenas de milhões de computadores do mundo. A era da celebridade hacker
havia começado, pela primeira vez um deles aparecia diante de centenas de
câmeras de televisão e fotógrafos das agências de notícias, quando da sua saída
da Corte Superior do Condado de Monmouth. Suas acusações: interrupção das
comunicações públicas e conspiração para o cometimento do delito de roubo de
serviços de computadores em terceiro grau.
Punição: se o crime fosse hoje Smith teria levado pelo menos
uns 40 anos de prisão, além de uma pesada multa de milhões de dólares. Como na
época o crime compensava, apesar de ter sido condenado, acabou indo para a rua
mediante pagamento de fiança.
Michael Calce- Canadense
Crimes: Perpetrador de ataques do tipo DoS ou Denial of
Service Attack (Ataque de Negação de Serviços).
Em fevereiro de 2000, vários dos mais importantes serviços
online dos USA, tais como eBay, Yahoo e Amazon sofreram ataques DoS, que
derrubaram os servidores e causaram 1,7 milhões de dólares em prejuízos. Após o
ataque anunciou aos quatro cantos sua façanha. Apareceu nos chats e fóruns um
tal de MafiaBoy assumindo os feitos e se gabando perante os seus colegas de
escola. A partir do perfil fake MafiaBoy chegar ao Michael Calce foi só uma
questão de tempo para os serviços anticrimes eletrônicos, que pacientemente
monitoraram os rastros das suas atividades e chegaram à sua casa.
Punição: Foi indiciado inicialmente. Depois das acusações que
pesavam sobre ele, seu advogado defendeu a tese de que a “criança” estava
apenas “testando” os sistemas de segurança das empresas atacadas. A Corte de
Justiça de Montreal o sentenciou em setembro de 2001 a 8 meses de detenção num
centro de reabilitação juvenil, um ano de liberdade condicional e restrições no
uso da Internet.
Mark Abene- americano
Crimes: Atividades phreaker e invasões de computadores.
Em 1993, o grupo MOD foram os primeiros crackers a serem
capturados por invasão de sistemas públicos de telefonia. Os rapazes adquiriram
grande fama por terem desenvolvido esquemas para driblar o pagamento de
chamadas telefônicas de longa distância e, além disto, eles conseguiam grampear
as linhas e criar salas de bate-papo que compartilhavam com amigos.
Paralelamente à atividade phreaker, os MOD hackearam bancos de dados da Agência
Nacional de Segurança, da AT&T e do Bank of America. Também invadiram os
registros de uma agência de crédito, que lhes permitiram recolher informações
confidenciais de ricos e famosos.
O criador do grupo MOD foi Mark Abene, nascido em 1972, que
se tornou mais conhecido pelo seu nickname Phiber Optick.
Punição: Em 1994, Abene foi sentenciado a um ano de prisão
pelas acusações de conspiração e acessos não autorizados a computadores e
sistemas de telefonia. Os demais integrantes do MOD também foram punidos e o
grupo desbaratado.
Kevin Mitnick- americano
Crimes: Atividades
Phreaker, Invasões e banker.
Mitnick se tornou conhecido mundialmente como o pai dos
hackers. Sua carreira começou aos 16 anos, quando obcecado por redes de
computadores, conseguiu invadir o sistema administrativo da sua escola. Para
Kevin, o fazer diário dos seus próximos 10 anos de vida foi explorar
vulnerabilidades de computadores alheios e sistemas telefônicos.
A grande notoriedade de Mitnick foi alcançada em virtude dele
ter cunhado uma nova profissão: hacker em tempo integral. Segundo o
departamento de justiça dos USA este terrorista eletrônico, também conhecido
como “El Condor”, criou números telefônicos isentos de contas, apropriou-se de
mais de 20 mil números de cartões de créditos de californianos e fugiu do FBI
por mais de dois anos, portando somente um telefone celular e um notebook.
A ruína de Mitnick aconteceu pelas mãos de outro hacker, mas
este um hacker do bem ou ético. Estando atrás de brechas em sistemas
telefônicos, El Condor se deparou com o computador de Tsutomu Shimomura, que
conseguiu invadir no natal de 1994. Na sua qualidade de físico, programador e
especialistas de sistemas de segurança do supercomputador de San Diego,
Califórnia, o japonês se sentiu ultrajado quando deparou com a marca registrada
que Mitnick deixava em cada computador invadido. Deste dia em diante Shimomura
dedicou 100% do seu tempo para farejar os traços eletrônicos deixados na rede
pelas atividades ilegais de Mitnick. Ao juntar os seus esforços ao FBI que já
estava há dois anos na cola do hacker, em pouco tempo eles conseguiram rastrear
e localizar geograficamente o lugar onde Mitnick se achava alojado.
Punição: Mitnick foi preso em 1988 pela acusação de invasão
do sistema da Digital Equipment. Foi condenado por fraude em computadores e
pela obtenção ilegal de códigos de acesso à telefonia de longa distância.
Complementando a sentença, o hacker foi proibido de usar telefones na prisão,
sob a alegação de que o prisioneiro poderia conseguir acesso a computadores
através de qualquer telefone. Mediante petição de Mitnick, o juiz o autorizou a
telefonar somente para o seu advogado, esposa, mãe e avó, sob a severa
vigilância de um carcereiro.
Atualmente, Mitnick é um honesto consultor sênior e presta
auditorias de segurança para empresas através da sua empresa Mitnick Security.
Aleluia, Hildeberto é jornalista.